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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

2 em 1 amizades

A história que contarei a seguir é sobre dois amigos de infância, Pablo e José.
Os dois eram mexicanos e andarilhavam em direção de San Juan, um pequeno
vilarejo na província de Chiapas.

Estava chovendo muito e os cavalos já estavam inquietos. Pablo observara uma
caverna em meio às árvores e exclamou: "Veja José, uma gruta seca. Vamos
usá-la como abrigo até a chuva passar." José não titubeou e seguiu seu
amigo até a tal gruta. Lá dentro, os dois se abrigaram e acomodaram os cavalos.
A caverna era gelada e José sentiu um calafrio que percorreu sua espinha.
"Vamos sair daqui Pablo, esta caverna me dá arrepios." Balbuciou José
tremendo de frio e medo. "Bobagem! Lá fora podemos até morrer naquele
temporal. Aqui nós estamos secos e seguros."Retrucou Pablo.

A chuva não dava nem um sinal de cessar. José estava impaciente e Pablo curioso
com a caverna. "Vamos lá para o fundo, estaremos mais seguros lá."
Entusiasmou-se Pablo. "Estas louco homem, podemos nos perder naquela escuridão."
Protestou José. "Covarde! Vamos lá, seja homem pelo menos uma vez nessa
sua vida." Ameaçou Pablo com um sorriso sarcástico. Mesmo temendo pela sua
própria vida, José segue o amigo até o fundo da caverna. Pablo, indo na frente,
acende um fósforo e se surpreende com o que vê. Jogado ao chão, milhares de
moedas de ouro e prata e até algumas jóias que refletiam a luz do fósforo.
Junto delas, um esqueleto humano. Pablo dá uma gargalhada e grita."Estamos
ricos José, ou melhor, estou rico José!" Virando-se imediatamente para o
amigo e apontando a garrucha diretamente para a testa dele. Pablo dá um sorriso
e vê o pavor do amigo que suplica."Não Pablo, pelo amor de Deus... nós
somos amig...." E um estrondo interrompe a voz de José. Com um tiro certeiro,
Pablo espalha os miolos do amigo no chão... "He, he, he...agora o ouro é
só meu, todo meu." Recolhendo o tesouro e colocando-o num saco, Pablo já
vai até pensando no que fazer com o dinheiro.

O tempo passa e a chuva também. Com o tesouro devidamente embalado, Pablo sai
da caverna sorrindo e gozando do cadáver do amigo."Pena que você não
poderá se divertir com este dinheiro companheiro." Pablo coloca o saco com
o tesouro no lombo do cavalo e ruma para o vilarejo. Chegando lá, ele vai
diretamente para uma pensão contabilizar o seu achado. Euforicamente, Pablo
sobe para o seu quarto mal podendo conter sua alegria. Já no quarto, o homem
tranca a porta e joga o saco no chão. Ao abri-lo, Pablo depara-se com uma cena
inesperada e pavorosa. "Não, não pode ser !!!" Agoniza o coitado. Ao
invés do tesouro, ele encontrou o cadáver rígido de seu amigo José.

Os ruídos da morte


Extraído do Livro chamado: "O Livro dos Fenômenos Estranhos" de
Charles Berlitz

Os habitantes das ilhas Samoa acreditam que, quando a morte se aproxima,
pancadas secas paranormais são ouvidas na casa da vítima.

Esse estranho fenômeno já foi chamado de ruídos da morte, e sua existência
representa mais do que mero folclore.

Genevieve B. Miller, por exemplo, sempre ouviu esses estranhos ruídos, principalmente
na infância. As pancadas ocorreram durante o verão de 1924 em Woronoco,
Massachusetts, quando sua irmã, Stephanie, ficou acamada com uma doença
misteriosa.

Enquanto a menina permanecia na cama, ruídos estranhos, semelhantes a batidas
feitas com os dedos, ecoavam pela casa. Eles soavam de três em três, sendo que
o primeiro era mais longo do que os outro dois.

Certa vez, o pai de sra. Miller ficou tão irritado com os ruídos que arrancou
todas as cortinas das janelas da casa, culpando-as por aquele barulho infernal.
Contudo, essa demonstração de nervosismo de pouco adiantou para terminar com
aquele sofrimento.

No dia 4 de outubro, já se sabia que Stephanie estava morrendo. Quando o médico
chegou, ele também ouviu as pancadas estranhas.

- O que é isso? - perguntou, voltando-se para tentar descobrir a fonte do
barulho.

Quando se virou novamente para a pequena paciente, ela pronunciou suas últimas
palavras e morreu. As pancadas diminuíram a atividade após a morte de
Stephanie, porém nunca chegaram a parar de todo. Elas voltaram, ocasionalmente,
quando a família se mudou para uma casa nova.

Então, em 1928, o irmão de Stephanie morreu afogado quando a superfíc ie
congelada de um rio, sobre a qual caminhava, quebrou-se. A partir dessa época,
os ruídos da morte nunca mais foram ouvidos.

O Mosteiro de Satanás


  1952, quinta feira, dia 23 de dezembro. Leonel sai de casa para passar o
natal com a família no Rio de Janeiro. Nas estradas mineiras chovia como ele
nunca tinha visto antes. Sozinho no carro Leonel sentiu um calafrio como se
estivesse prestes a morrer. Na mesma hora ele parou o carro. Começou a sentir febre
e a suar frio. Na estrada não passava um veículo e a chuva tinha apertado mais.
Quase cego com a tempestade Leonel avista uma luminosidade não muito longe
dali. Caminhando com dificuldade o pobre homem chega até o portão do que
parecia ser um mosteiro franciscano . Ele bate na porta e grita por ajuda mas
desmaia antes dela chegar.
Leonel acorda com muita dor de cabeça em um quarto escuro. Ele estava deitado
numa cama simples e pela janela podia ver que a chuva não havia reduzido.
Quando tentou levantar-se da cama a porta se abre e um homem alto vestido de
monge entra no quarto. "Você deve deixar o mosteiro imediatamente."
falou, com uma voz preocupada. "Estou doente, não podem me mandar embora
deste jeito, por favor deixe-me ficar.", agonizou Leonel quase chorando. O
monge não disse mais nada e se retirou do recinto. Preocupado em ter que ir
embora Leonel se levanta e sai do quarto sorrateiramente. O lugar mais parecia
um calabouço medieval. O coitado não sabia o que fazer. Por instinto
Leonel  desce as escadas da masmorra. Uma voz o chama. Ela vem de uma
cela, a porta está trancada e pela pequena grade um homem magro de cavanhaque
conversa com Leonel. "Amigo, você precisa me ajudar. Esses monges me
prenderam aqui e me torturam quase diariamente. E eles farão isso com você
também se não fugirmos logo. Por fa..."Antes do sujeito concluir o monge
alto grita com Leonel. "Saia daí!!!" agarrando-o pelo braço o monge
arrasta o enfermo rapaz escada acima. O pobre Leonel não tinha forças para
reagir e foi levado facilmente.
Já em uma sala gigantesca repleta de monges Leonel se vê como um réu sendo
julgado. O franciscano que parecia o líder falou. "Rapaz, você deve ir
embora imediatamente. Foi um erro nosso tê-lo deixado entrar aqui. Sabemos do
seu estado de saúde mas não podemos deixá-lo ficar". Leonel mal ouviu o
homem e desmaiou novamente. O infeliz viajante acorda mais uma vez na masmorra.
A porta do quarto estava aberta e Leonel sai a procura do homem que estava
preso no andar de baixo. Sem vigília, ele consegue chegar até a cela do
magrelo. Mal se aproxima e Leonel é surpreendido com o sujeito na pequena grade
já pedindo ajuda. “Por favor, me tire daqui. Eles vão nos torturar, eles são de
uma seita maligna. São adoradores de Satanás.” Tremendo como uma vara verde em
dia de chuva, Leonel corre atéum pequeno depósito em busca de uma ferramenta
capaz de abrir a cela. Minutos depois ele retorna com um imenso pé de cabra.
Com um pouco de esforço a porta é arrombada. O sujeito magro sai correndo da
cela e rindo como se uma piada hilária tivesse acabada de ter sido contada. Sem
saber do que se tratava, Leonel corre também, mas dá de cara com um monge de
quase dois metros de altura. “ O que você acaba de fazer, maldito?!” Rugiu o
franciscano. “Me solte! Me solte seu filho de Satanás!” Gritava Leonel tentando
se soltar do agarrão  do monge. Com um olhar de temor e raiva o homem alto
encara o pobre Leonel... “Você não sabe o que fez... sua vida está condenada
agora. Você acaba de libertar o próprio Satanás. E ele fará de você o seu servo
predileto. Sua alma será dele”. Logo após o monge ter terminado de falar Leonel
dá um grito de pavor... seu último grito de pavor. Naquele instante o pobre e
inocente viajante acaba de ter um fulminante ataque cardíaco que levou sua alma
literalmente para  os quintos dos Infernos, ao lado do, agora, seu eterno
mestre, Satanás.

A casa dos horrores

canelas de quem ousasse caminhar sobre ela. Ninguém o fazia. Toda a casa estava imunda. As paredes de um dos quartos ainda apresentavam marcas de sangue. Havia as folhas das árvores que caíam e entravam pelas janelas abertas. Ratos e baratas já dominavam o lugar, talvez atraídos pelo odor de carniça que empesteava o ambiente. Devia ser algum bicho morto... Por fora o reboco caía e deixava mais feio ainda aquilo que um dia foi lar de alguém. Não era um lugar agradável...

       A essência do que havia acontecido ali estava impregnada em tudo. As pessoas evitavam olhar para o local, sobretudo à noite. As mães que porventura passassem ali com seus filhos atravessavam a rua para o lado oposto. Não era para menos. Era a casa de Jonas Barboza, um homem de uns trinta anos. Era sozinho, não tinha família, nem filhos. Não era uma pessoa bonita. Seus dentes eram bastante tortos, as sobrancelhas grossas e suas orelhas eram de um tamanho desproporcional ao de sua cabeça. Seus olhos eram tristonhos... Não era muito sociável, mas adorava crianças. Não era incomum vê-lo dando balas para os pequeninos que por ali passavam.

       Não se sabia com o que trabalhava, mas saía lá pelas dez da manhã e só voltava às quatro da tarde, como muitos trabalhadores dessa mesma rua. Ela, a Rua das Margaridas, era a mais tranqüila, daquele povoado de casas distantes umas das outras. Mas as coisas começaram a mudar por ali. Crianças sumiram misteriosamente e isso logo se tornou assunto de telejornal. Eram muitos desaparecimentos. Cartazes foram colocados nos postes, e alguns ofereciam até recompensas. Mas nada feito. Não tinham pista alguma... Foi então que alguns corpos foram sendo encontrados na mata do lugarejo, à beira de riachos. Não tinham os olhos, e suas barrigas estavam cortadas de cima a baixo. Falavam em rituais de magia negra. Cada vez mais corpos eram encontrados e com marcas mais estranhas ainda.

       Certo dia Jonas voltou para casa mais tarde do que de costume, umas seis horas da tarde. Uma multidão o esperava do lado de fora. Traziam pedaços de madeira nas mãos e gritavam: Monstro! Assassino! Pouco antes, alguns haviam entrado em sua casa e descoberto os corpos de mãe e filha, desfigurados, em um de seus quartos. O povo estava ensandecido. Queriam apenas se vingar do monstro que matava crianças indefesas. Alguns diziam que eram anjos...

       Tentou fugir, mas não deixaram. Seguraram-no e amarraram suas mãos e pés, levando-o para o interior da casa. Jurava inocência o tempo todo. Foi uma das poucas vezes em que se ouviu a voz de Jonas. Deitaram o homem ao chão e amarraram um saco de pano em sua cabeça, com um nó bem dado em sua garganta, feito com uma corda de sisal. Ele se debatia, implorava clemência, mas o povo não o ouviu. Ele tinha que pagar pelos seus atos e ia pagar ali. Cada um com sua verga aplicou-lhe um golpe, primeiramente em seus braços e pernas, e depois de muito ouvir seus gemidos, bateram fortemente na cabeça, e o pano que a cobria logo foi ficando manchado de sangue. Seus gritos cessaram, mas foi bem depois que pararam de bater. A polícia chegou ao local, mas era tarde. A multidão enfurecida havia matado Jonas Barboza.

       E era disso que Samuel Lourenço lembrava ao observar a casa, pelo outro lado da rua. O dia em que sua esposa e filha foram cruelmente assassinadas, como animais para abate. Uma garrafa de cachaça era pouco para esquecer disso. Todos os dias ele recordava. A criança vinha lançar os braços em volta de seu pescoço, chamando seu nome. A mulher preparava a comida na cozinha e depois vinha lhe recepcionar, com um carinho que ele não se lembrava se já conhecia. Mas foi tão rápido! Passaram em sua vida como um cometa, deixando um lindo rastro de luz, mas se foram... E tudo por conta de Jonas, o monstro.

       As lágrimas minavam de seus olhos. Por mais que tentasse esquecer, não conseguia. Não havia participado do linchamento e a vontade de fazer justiça ainda pulsava em suas veias. Saiu dali e foi até em casa buscar um machado. Com ele ia destruir toda lembrança do que houve ali. Não restaria pedra sobre pedra.

       Caminhou passos precisos e decididos na direção da casa do monstro. Ninguém o viu, já passava das dez, e gente de bem a essa hora já tinha se recolhido. A grama beijava-lhe as pernas de uma forma quase libidinosa. A marca de seus pés e do machado que ele arrastava deixou um rastro estranho no mato. Parou ofegante em frente à porta da casa, que estava fechada. As lágrimas vertiam como no mesmo dia do acontecido e ele limpava-as com o braço.

       — Desgraçado! – gritou ele levantando o machado, e dando um violento golpe na porta. Deu um segundo golpe e a porta abriu no meio. Estava escuro, mas a lua cheia clareava muito bem a casa. Samuel sentia o vento frio e forte doer em seus ossos.

       Caminhou sobre alguns cacos de vidro das janelas que haviam sido quebradas. Alguns atiravam pedras na casa durante o dia, como forma de protesto. O cheiro de podre, provavelmente de algum animal morto que ali estava, impregnou-lhe as narinas. Sentiu necessidade de cuspir, como reação pela fedentina.

       — Seu merda! – disse ele dando uma machadada na parede. – Foi muito homem para fazer o que fez e onde está você agora? Não deve estar em um lugar muito bom, não é mesmo? Pois agora eu vou destruir tudo isso aqui e será como se nunca tivesse existido! Você e essa casa nojenta... Se quiser, venha aqui e me impeça! – disse ele dando outro golpe, dessa vez em uma das janelas, que já estavam quase que completamente quebradas.

       Levantou o machado outra vez, mas levou uma forte pancada nas costas, derrubando-o ao chão. A ferramenta caiu também e escorregou pelo solo indo parar em um canto da sala. Levantou-se com esforço, gemendo de dor e olhou para trás. Ali estava um homem, com uma camisa e calça sociais, igualmente surradas e manchadas de sangue. Volveu os olhos na direção do rosto do homem. Estava coberto de um saco de pano, manchado de sangue, numa cor parecida com borra de café. Estava rasgado em algumas partes e deixava à mostra alguns vermes que devoravam a face do monstro.

       — Não! – gritou Samuel arrastando-se ao chão. Afastou-se um pouco, mas levou outro golpe. Escorou-se na parede e olhou na direção do machado, ele não estava mais lá. Correu na direção da saída, mas a criatura apareceu em frente à porta com o machado nas mãos. Vinha caminhando lentamente em sua direção, como um zumbi.

       — Vá de retro! – disse Samuel, sem eficácia. Correu para outro cômodo, mas o homem, mesmo caminhando a passos curtos alcançou-o. Deu-lhe um golpe de machado em uma das pernas, não lhe arrancando o membro, mas deixando este esfacelado, e seu sangue esguichava como uma bica d’água. O homem gritava e gemia, mas a criatura não se importava. Na verdade, parecia não ter nenhuma espécie de sentimento. Apenas instintos sanguinários. O sangue e os gritos de Samuel pareciam entorpecer-lhe. Tinha sede e ia saciar-se com a presa que havia caído em sua teia.

       — Não! Pare com isso! – disse ele se arrastando, mas Jonas o puxou pela outra perna. Samuel ficou olhando-o por alguns instantes calado e ofegante. – Por favor! Não... – suplicou-lhe. A criatura parecia não lhe ouvir e com uma força descomunal deu mais três golpes no homem, abrindo o peito e a cabeça ao meio, como em uma carcaça de qualquer animal.

       O sangue ainda quente escorria criando uma enorme poça que a criatura espalhava com suas pegadas pesadas, enquanto caminhava arrastando o machado, na direção da escuridão.

       Samuel não mais gritava, como os outros que foram encontrados nesta casa e na beira dos riachos. Se estivesse vivo teria aprendido uma lição. Não se deve brincar com os mortos...

colegio

Quando criança, meu avó foi internada em um colégio de freiras na cidade de Valença, no Estado do Rio de Janeiro. Tudo ia muito bem embora a saudade de casa a deixasse um tanto triste. Determinado dia, ela e algumas colegas, num momento de liberdade, resolveram explorar o complexo composto for vários corredores, salas, dormitórios e etc.

No segundo andar, havia um portão no meio do corredor que impedia que se continuasse andando até o final dele, mas nesse dia, o portão estava entreaberto, alguém esquecera de fechá-lo.

As quatro meninas entraram nessa parte do corredor, alí havia uma imagem de uma santa, alguns quadros na parede e quatro portas. Elas colocaram as orelhas nas portas para ver se havia alguém do outro lado, mas como não ouviram nenhum barulho, perceberam que estava vazio e resolveram abrir uma daquelas protas.

Era um quarto simples. Lá havia uma cama arrumada, uma cômoda e uma escrivaninha. A janela fechada. Sobre a escrivaninha um pequeno pote com alguns pingentes de imagem de santos/santas.

Como havia muitos pingentes, julgaram que ninguém daria falta se cada uma pegasse um para si.

Minha avó pegou um de santa Bárbara e as outras pegaram um pingente de outros santos.

Naquela noite, ao se deitar. Ela não conseguia conciliar o sono, estava inquieta. O quarto todo escuro, todas as meninas dormindo. Ela se virava de um lado para o outro e não conseguia dormir.

Neste momento, viu que entrou no quarto um freira segurando uma vela entre as mãos. A freira se aproximou dela e disse: "Devolva o que é meu, devolva o que é meu". Minha avó ficou apavorada, pois viu que se tratava de uma entidade espiritual. Da cintura para baixo era invisível...

Ela berrou, berrou...até que acordou as outras meninas e uma freira que dormia alí junto delas. Aquilo foi dado como um pesadelo...

Na outra noite, a mesma coisa. Ela acorda sentindo que mãos a estrangulavam o pescoço. Desesperada, contou às outras amigas que também tinham pego os pingentes. Cada uma delas relatou que tivera pesadelos horríveis e decidiram colocar os pingentes de volta.

Mas, ao chegarem no andar, o portão estava fechado, então jogaram os pingentes lá para dentro do corredor, de forma que ficasse perto da porta do tal quarto. Apenas uma menina não quis devolver o pingente.

No dia seguinte, a menina que não devolveu o pingente se desequilibrou na escada que dava para a entrada da igreja e fraturou uma perna. Era a última missa daquela semana antes das férias. Ao retornarem para o colégio, ao final das férias. Não se teve mais notícias da menina acidentada, ela não voltou àquele colégio. Até hoje, minha avó nunca mais teve notícias dela.

A bruxa

Era anos 20, ela morava numa fazenda no interior do Rio Grande do Sul, sua família trabalhava nas charqueadas. Sua mãe havia morrido doente, não se sabia a doença, afinal naquela época não havia médicos. A única coisa que havia eram curandeiros que de vez em quando passavam pela feira da cidade.
Era comum seu pai sair viajar para o Uruguai, onde vendia o charque. Minha avó naquela época tinha sete anos e sua irmã era bebê, como não tinha com quem deixar as duas filhas, resolveu ele deixar com uma velha muda, conhecida na cidade como bruxa, mas ele não acreditava muito nessas coisas.
Naquele dia, a qual ela nunca esqueceu, foi dormir chorando, pois tinha saudades da mãe que fazia pouco tempo que morreu. No meio do sono, acordou com barulhos estranhos, pareciam ruídos no porão. Desceu da cama e foi verificar como estava sua irmã.
Ficou surpresa ao verificar que sua irmã não estava no berço, e foi procurar a velha pela casa. Procurou em todo lugar, mas não encontrava, enquanto isso, os ruídos no porão começavam a aumentar. As janelas estavam abertas e estava ventando muito, ao ir fechar uma janela verificou que um dos cavalos da fazenda escapou e estava olhando profundamente em seus olhos. Ela fechou a janela.
Voltou pra cama com medo, mas os ruídos não a deixavam dormir. Criou coragem e decidiu ir até o porão verificar o que havia de errado.
Com um lampião na mão, ao descer as escadas viu a velha numa cadeira de balanço segurando no colo o que parecia ser uma criança. A velha a surpreendeu e falou: Garotinhas boazinhas tem que dormir quando chega a escuridão.
Ela ficou apavorada e subiu as escadas correndo, pensava até estar sonhando. Foi pra fora da casa, no banheiro que ficava aos fundos, reparou que dois cavalos estavam correndo ao redor da casa e pareciam assustados. Deixou cair o lampião. Haviam gatos encima da casa miando sem parar e foi correndo até o banheiro que estava escuro e lá se trancou até amanhecer o dia.
Passou alguns dias, seu pai retornou a casa e ela contou-lhe o que havia acontecido, ele, por sua vez não acreditou, mas havia prometido não chamar mais a velha para cuidar enquanto viajava.
Meses depois, ele precisou fazer outra viagem, mas dessa vez pediu a uma moça de mais ou menos uns vinte anos, filha de um amigo para cuidar das meninas. Os dois já eram noivos, no entanto ainda não moravam juntos. Minha avó parecia estar contente com a chegada de uma “nova mãe”.
Novamente aconteceu, estava no meio do sono, quando acordou com barulhos no porão. Chamava pelo nome da moça, e surpreendeu-se novamente ao verificar sua irmã não estava no berço. Foi até o porão e se deparou com a velha na mesma cadeira de balanço com sua irmã no colo. Mais uma vez ela disse: Garotinhas boazinhas tem que dormir quando chega a escuridão. Saiu correndo aos berros, novamente, em direção ao banheiro, mas dessa vez a porta estava emperrada e não conseguiu sair de dentro da casa. Ela se lembra de ter levado uma pancada na cabeça e ficar desacordada. Na manhã seguinte ela acorda. A moça está morta na sua cama com sua face desfigurada e a bebê parece estar bem. Dias depois ela recebe a notícia que seu pai morreu ao cair de um cavalo em um penhasco no Uruguai.